A COISA FICOU PRETA
uma exposição de Gleyson Borges
O trabalho de Gleyson Borges se constrói através da reorganização de imagens existentes. Em vez de buscar o inédito, reposiciona o que já existe, coletando fragmentos visuais e materiais cotidianos e os rearticulando para construir afirmações sobre o modo como o racismo e as heranças coloniais estruturam nosso olhar. Ao juntar imagens e deslocá-las de seus lugares habituais, destaca, na superfície, novas leituras para aquilo que, de tão naturalizado, parecia impossível de ser questionado.
A sua pesquisa, então, se sustenta em fazer enxergar aquilo que se tornou “invisível” por ser óbvio demais para ser percebido. Seus lambes, intervenções e instalações partem de elementos reconhecíveis (fotografias, recortes impressos, objetos simples) para revelar as minúcias que existem na tecnologia apresentada pelo racismo.
Nesse sentido, não busca traduzir apenas sua experiência enquanto pessoa negra, mas, em seu desassossego, arquiteta caminhos com esses materiais, produzindo afirmações que questionam a forma coletiva pela qual certos corpos foram enquadrados, transformando o espaço da exposição em um lugar de reflexão.
O foco não está na revelação de algo oculto, mas no reposicionamento de imagens já disponíveis, movimentando para o centro aquilo que é colocado à margem e etiquetado de inexistente. É nesse movimento que a exposição propõe um exercício crítico: reconhecer que o que parece natural é, muitas vezes, produto de uma camada espessa de violência, junto do controle da narrativa, alimentado por séculos de exploração contínua e deliberada
A exposição “a coisa ficou preta” nos lembra que toda imagem carrega em si um modo de ver o mundo; toda imagem é intencional. Assim, ocupar a casa grande de um antigo engenho, espaço historicamente dedicado à produção de poder da branquitude e à exploração sistemática dos corpos negros, faz com que a população negra tome as rédeas da narrativa, mostrando que o que parecia distante ainda se faz presente.
Esse espaço, carregado de uma memória de brutalidade, ressoa de outro modo quando atravessado pelas obras de um artista negro. Ao ocupar esse território com uma exposição que desmonta o “natural” hediondo do racismo, Gleyson Borges evidencia que as estruturas que sustentaram o engenho não desapareceram do Brasil, apenas ganharam novos nomes.
Jhonyson Nobre
Curador
A COISA FICOU PRETA
uma exposição de Gleyson Borges
uma produção ARTEPOFAGIA
com curadoria de Jhonyson Nobre
assistência de produção de Renata Ribeiro e Gilvania Pereira
expografia de Adryele Sandes e Jhonyson Nobre
identidade visual e projeto gráfico de Bartolomeu Rodrigues
fotografia de Bárbara Agra
assessoria de imprensa de Claudia Leite
revisão textual de Karlisson Monteiro
comunicação visual de Urbano Signs
montagem ARTEPOFAGIA + ArtMonta
A exposição teve patrocínio do Governo Federal com recursos operacionalizados pela Fundação Joaquim Nabuco através do Museu do Homem do Nordeste e o Engenho Massangana.
Agradecimentos especiais a toda equipe institucional que fez essa exposição possível.
Presidente da República:
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministro da Educação:
Camilo Santana
Presidenta da Fundação Joaquim Nabuco:
Márcia Angela da Silva Aguiar
Diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte:
Túlio Velho Barreto
Coordenador-Geral do Museu do Homem do Nordeste:
Moacir dos Anjos
Coordenador de Museologia:
Albino Oliveira
Chefe de Serviço de Estudos Museais e do Engenho Massangana:
Henrique de Vasconcelos Cruz
Equipe do Engenho Massangana:
Silvia Paes Barreto
Priscila de Araujo Barbosa
Rosilene Farias
Motorista:
Antonio de Souza
Educadores do Engenho Massangana:
Edvania Tatiana Silva de Carvalho
Enerson Antonio da Silva
João Lourenço Gomes da Silva
Josias Pereira da Costa
Maria Clara Alexandre de Araújo
GALERIA






CREDITOS
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